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Por que todo o mundo mantém de pé a economia dos EUA?

FOTO: © Sputnik/ Mikhail Kutuzov

Por que todo o mundo mantém de pé a economia dos EUA?

A dívida nacional dos EUA bateu seu recorde histórico, superando pela primeira vez os 20 bilhões de dólares.

Todas as informações são da SPUTNIK NEWS BRASIL.

 

Isso quer dizer que a dívida de cada contribuinte norte-americano alcança 167.000 dólares. Nos últimos 30 anos, o buraco da dívida dos EUA aumentou em mais de 20 vezes.

Aproximadamente, um quarto dos credores são fundos de capitais, 40% deles representam devedores internos e mais de uma terça parte são estrangeiros.

 

Os maiores credores estrangeiros dos EUA são a China e o Japão. Washington lhes deve mais de um bilhão de dólares a cada um. A Rússia também está entre os outros 12 países que possuem títulos norte-americanos e cuja soma supera 100 milhões de dólares.

Pelo volume da dívida nacional, os EUA são o líder mundial absoluto. Os números estão crescendo mais rápido que o PIB nacional em quase em 75%. O Japão ocupa neste "ranking" a segunda posição, contando com 11,59 bilhões de dólares da dívida nacional, enquanto a Rússia detém "apenas" 107,440 milhões de dólares.

A dívida nacional norte-americana tem crescido desde o início do século passado, mas com uma intensidade particular desde os anos 80. Em 2013, o Congresso dos EUA ainda não conseguiu equilibrar o orçamento. Porém, vários países do mundo seguem comprando títulos norte-americanos.

"A confiança se baseia no fato de, durante os últimos 100 anos, a moeda norte-americana não ter sofrido nenhuma quebra seria, enquanto as moedas da maioria dos outros países já passaram por isso. A inflação, cujo nível nos EUA é mais baixo que a taxa de crescimento econômico, permite ao governo pagar as dívidas sem dificuldades", explica o vice-diretor do Centro de Desenvolvimento, Valery Mironov.

 

De acordo com o presidente do Centro de Comunicações Estratégicas, Dmitry Abzalov, a estabilidade do sistema econômico e financeiro dos EUA é baseada na confiança e na política.

"De fato, todo o mundo demora anos pagando as despesas norte-americanas", ressalta Abzalov.

O presidente dos EUA, Donald Trump, enfrenta uma tarefa árdua. Não conseguirá cumprir suas promessas e interromper o crescimento da dívida pública sem reformas orçamentárias sérias, isto é, sem uma redução notável de despesas e aumento de rendimentos.

 

O governo se vê forçado a gastar com o programa Obamacare. O Congresso se recusou categoricamente a cancelá-lo. Ao mesmo tempo, Trump não conseguiu implementar a reforma tributária que havia prometido anteriormente.

"É absolutamente evidente que, nos próximos anos, a dívida pública dos EUA continuará crescendo", prevê o especialista.

Valery Mironov acredita também que essa situação poderá ser mantida nos próximos 10 ou 15 anos, embora a economia dos EUA continue crescendo por conta de outros países.

Os problemas podem surgir caso se iniciem uma recessão econômica ou inflação severa, provocando, por exemplo, uma emissão maciça de dólares.

"Os riscos para Washington crescem em proporção do crescimento da dívida nacional. E os problemas podem aparecer não apenas por dentro, mas também por fora, por exemplo, simultaneamente com alguma moeda alternativa de um dos países cuja economia está crescendo rapidamente, como o yuan chinês ", diz Abzalov.

Além disso, o analista mencionou que, caso isso aconteça, então "os devedores vão adquirir mais notas promissórias chinesas e muito menos norte-americanas".

A desvalorização dos títulos norte-americanos é o que pode enfraquecer a economia dos EUA. E esta evolução da situação não pode ser descartada nas próximas décadas.

FONTE: SPUTNIK NEWS BRASIL
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